Mensagem para o Dia da Consciência Negra de 2024

   
    Hoje, pela primeira vez em todo país, como feriado nacional, celebramoso Dia da Consciência Negra. Ao lado das celebrações, o Fórum Inter-religioso de Santa Bárbara d’Oeste entende importante trazer uma reflexão sobre as barreiras que ainda se impõem sobre o direito à liberdade religiosa e a convivência pacíficanos dias atuais. 

    O Brasil foi o pais que mais recebeu pessoas escravizadas vindas docontinente africano e foi o último país do ocidente a abolir a escravidão. Nossa região foi a última a abolir a escravidão em nosso país. Precisamos reconhecer queessa experiência deixou marcas que permanecem até os dias atuais.

    Infelizmente persiste em nosso meio a intolerância e o racismo religioso ede outro lado o discurso de ódio. Eles são duas faces de uma mesma moeda, uma moeda perigosa que tem gerado preconceito, exclusão, discriminação e violência.

    Muitas vezes é propagado nos meios digitais, pelas redes sociais comopor mensagens do WhatsApp, em postagens do Instagram, do Facebook ou vídeos do Youtube, entre outros, muitos conteúdos de intolerância religiosa e racismo religioso que são compartilhados e recebidos com naturalidade. Expressões ofensivas e discriminatórias contra manifestações da Umbanda, do Candomblé, do Islamismo, do Espiritismo, do Cristianismo dentre outras tradições, tem sido amplamente divulgadas e muitas vezes acolhidas como naturalidade em nosso meio.

    Tal situação tem sido mais intensa pela existência do que está sendo chamado de “bolha digital”. Diante do vasto mundo digital, somos levados a nosimergir em grupos específicos de influência e informação, fechados em uma única opinião e que reforçam sempre os próprios pontos de vista e afastam perspectivasde reflexão e de posicionamento diferentes.

    Mantidos dentro destes grupos virtuais fechados (as chamadas “bolhas digitais”), somos levados a um isolamento coletivo que nos impede de dialogar enos compreendermos de forma ampla, encontrando conhecimentos, posições e informações diversas e diferentes, deixando nossa visão limitada e distante da riqueza da diversidade humana.

    Mais grave é que muitos destes grupos fechados e isolados, as bolhas digitais, estão atualmente marcadas por informações que promovem a intolerância eo racismo religioso, muitas vezes propagando um discurso de ódio, em especial contra as religiões de matriz africana, e infelizmente, nos dias atuais, ganhando força contra os muçulmanos.

    Muitas mensagens, vídeos e conteúdos propagam inverdades, alimentam a desinformação e a discriminação religiosa contra a Umbanda, o Candomblé e o Islamismo, circulam livremente em ambiente digitais divulgado e replicados nas bolhas digitais. 

    O racismo religioso nega o direito fundamental à liberdade de crença, consagrado no inciso VI do art. 5º da Constituição Federal e fere a alma da nossa sociedade. A discriminação, causada pela intolerância e pelo racismo exclui, persegue e estigmatiza, negando às pessoas o direito de serem quem são e de cultuarem sua fé de forma plena, promovendo feridas sociais e espirituais difíceis desanar. 

    Por sua vez, o discurso de ódio é alimentado por palavras que incitam aviolência e reforçam estereótipos e preconceitos. Ele destroi a empatia, minando o respeito entre os diferentes. Com consequências devastadoras, o discurso de ódio se infiltra nas mentalidades, solidificando divisões e alimentando hostilidade que, em última análise, afeta toda a sociedade.

    Estas questões são profundas e tocam diretamente muitas pessoas,sobretudo pessoas próximas a nós, com as quais convivemos, nos relacionamos ouque encontramos no nosso dia a dia.

    Precisamos denunciar a falta de respeito e empatia, especialmente emcasos de intolerância e racismo religioso, e promover uma Cultura de Paz baseada na valorização da diversidade. Isso exige diálogo, educação para a cidadania e compromisso coletivo com a empatia. Urge fomentar a educação inter-religiosa, incentivando jovens e crianças a respeitar e acolher as diferenças, além de manter conversas abertas que cultivem a paz em nossa sociedade. 

    Devemos combater ativamente a discriminação, o discurso de ódio, a intolerância religiosa e o racismo religioso e demonstrar que assim estaremos fortalecendo nossa comunidade. Mas devemos, acima de tudo, fomentar a empatiaentre as diferenças e a compreensão mútua para criar um ambiente de verdadeira união.

    Neste Dia da Consciência Negra, um momento para reflexão sobre nossas responsabilidades sociais e históricas, nós do Fórum Inter-religioso de Santa Bárbara d’Oeste, reafirmamos nosso compromisso com a construção de uma sociedade justa, empática e acolhedora para todas as crenças, etnias e culturas.

    Que cada um de nós possa ser um agente de paz e de respeito, sempre buscando construir pontes ao invés de muros.

    Sigamos juntos, com esperança, por um mundo de paz e dignidade paratodos.

    Santa Bárbara d’Oeste, 20 de novembro de 2024

    Fórum Inter-religioso de Santa Bárbara d’Oeste



NOSSO CONVITE:

Para RECEBER COMUNICAÇÕES do Fórum Inter-religioso, ingresse em nosso grupo (WhatsApp) pelo link: https://chat.whatsapp.com/IhJxqRhob112NncsrJjofi


"Juntos, participando pela construção de uma Cultura de Paz".


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